FAQ geral

Tempo de leitura: 7 minutos

Este FAQ foi escrito com a mentalidade de segurança pública + cibersegurança: reduzir exposição ao risco, reconhecer padrões de ameaça e agir com método quando a adrenalina sobe. A proposta do site é simples e poderosa: mais consciência situacional, menos vulnerabilidade — sem transformar a vida num filme de ação (até porque ninguém quer dublê no trajeto para a padaria).


1) Conceitos básicos (para todo mundo falar a mesma língua)

✅ O que é “Sobrevivência Social”?

É o conjunto de hábitos e estratégias para prevenir, evitar, interromper e reagir a riscos causados por pessoas (“predadores sociais”) e por fraudes — no mundo físico (roubos, agressões, perseguição, violência doméstica) e no digital (golpes, invasões, extorsões, vazamentos).

✅ “Vigilância constante” é paranoia?

Não. É atenção treinada, com custo mental baixo:

  • observar ambiente sem ficar “caçando perigo”;
  • manter rotas e saídas em mente;
  • reduzir distrações em pontos críticos (porta de casa, estacionamento, caixa eletrônico).

✅ Qual é a regra nº 1 em segurança?

Distância + tempo + informação = vantagem.
A maioria das ocorrências fica mais perigosa quando você:

  • perde tempo indeciso(a),
  • reduz distância do agressor,
  • entrega informação (rotina, endereço, senhas, localização).

2) SOS: “Estou em risco agora” — o que fazer imediatamente?

🚨 Quais números eu devo memorizar?

  • 190 — Polícia Militar (emergência)
  • 192 — SAMU (emergência médica)
  • 193 — Bombeiros
  • 191 — PRF (rodovias federais)
  • 180 — Central de Atendimento à Mulher (orientação e encaminhamento)
  • 100 — Direitos Humanos (crianças, idosos e outras violações)

🚨 Protocolo SOS em 60 segundos (rua / comércio / transporte)

1) Vá para um ponto seguro: lugar com gente, câmera, equipe e saída (farmácia, mercado, posto).

2) Peça ajuda com instrução clara:
Estou me sentindo ameaçada(o). Pode ficar comigo e chamar a polícia?” 3) Ligue 190 e diga: onde está, o que ocorre, descrição do suspeito, se há arma/ameaça. 4) Não vá para casa se estiver sendo seguido(a).


3) Rua e espaços públicos (a pé)

✅ Quais são sinais comuns de risco (sem “achismo”)?

  • alguém “gruda” na sua rota, ajusta ritmo quando você muda;
  • pessoa/veículo aparece repetidamente em pontos diferentes;
  • tentativa de encostar ou bloquear caminho;
  • abordagem com história confusa pedindo ajuda que exige deslocamento (“vem ali rapidinho”).

✅ O que eu faço para reduzir chance de roubo/furto?

  • Celular fora de vista em transições (saída do carro, portão, esquina, ponto).
  • Bolsa/mochila à frente em aglomerações.
  • Um fone só (ou nenhum) em áreas de risco: audição é sensor.
  • Evite “modo automático” em horários previsíveis.

✅ Se alguém tentar me distrair (golpe da informação, do papel, do “caiu algo”)?

  • Não pare nem abaixe totalmente a atenção.
  • Afaste-se 2–3 passos, mantenha seus pertences junto ao corpo.
  • Responda andando: “Não posso ajudar”.

4) Casa e rotina (entrada e saída são os pontos críticos)

✅ O que é “procedimento de chegada segura”?

Uma rotina simples:

  • pare em local iluminado, observe 3–5 segundos antes de abrir portão;
  • chave já na mão (não procure chave “dentro da bolsa”);
  • entrou? portão fecha, porta tranca, só depois mexe no celular.

✅ Como reduzir risco de invasão e “marcação”?

  • iluminação externa funcionando;
  • número da casa visível (ajuda emergência e inibe “testes”);
  • não divulgar rotina em tempo real nas redes;
  • atenção a estranhos “prestando serviço” sem identificação.

✅ E se eu achar que estou sendo observado(a) perto de casa?

  • não confronte;
  • não pare na frente de casa: dê volta e vá a lugar público;
  • acione 190 se houver insistência.

5) Veículo (cidade e estrada)

✅ Como reduzir risco em semáforos e estacionamentos?

  • portas travadas, vidros fechados;
  • distância do carro da frente para manobra;
  • evite mexer no celular parado(a);
  • ao estacionar, escolha área iluminada e com fluxo.

✅ Acho que estou sendo seguido(a) de carro. O que faço?

  • não vá para casa;
  • faça mudanças de rota seguras; se o veículo acompanhar, trate como perseguição;
  • vá a local movimentado/base policial e ligue 190 (ou 191 em rodovia federal).

6) Estabelecimentos comerciais (lojas, clínicas, mercados, bares)

✅ Trabalho em atendimento ao público. Como lidar com ameaça/assédio?

  • tenha palavra código interna (“preciso conferir o estoque”) para chamar apoio;
  • mantenha posição com rota de saída e perto de colegas/câmeras;
  • registre incidentes (data/hora, descrição, imagens do CFTV).

7) Crianças e adolescentes (prevenção precisa ser ensaiada)

✅ O que crianças devem saber (em frases simples)?

  • “Eu não vou com quem meus responsáveis não autorizaram.”
  • “Se eu me perder, eu procuro um funcionário (crachá/guarda).”
  • “Se alguém me pegar, eu grito e faço barulho.”

✅ E a regra da palavra código?

Excelente: uma palavra combinada com família.
Se alguém disser “sua mãe mandou”, a criança pede a palavra-código. Não soube? Não vai.


8) Idosos (mistura de vulnerabilidade física + golpes)

✅ Por que idosos são alvo frequente?

Porque golpistas buscam:

  • pressa (“é agora ou perde”),
  • medo (“seu CPF foi usado”),
  • autoridade falsa (“sou do banco/INSS”).

✅ Regra de ouro contra golpes

  • ninguém confiável pede senhacódigo do SMStokenbiometria por vídeo, ou “teste de Pix”.

9) Golpes digitais e fraudes (PIX, WhatsApp, redes sociais, “falso suporte”)

✅ Golpe do WhatsApp / clonagem / “novo número”

Sinais:

  • urgência emocional + pedido de dinheiro + história curta. Defesa:
  • confirme por ligação para um número já conhecido;
  • ative verificação em duas etapas no WhatsApp;
  • desconfie de “print de comprovante”.

✅ Phishing (link falso do banco/entrega/multa)

Defesa:

  • não clique em links de SMS/DM “avisando problema”;
  • digite o site oficial manualmente ou use app oficial;
  • confira domínio e remetente (golpe imita nome, não endereço real).

✅ Falso suporte técnico (empresa, MEI, escritório)

Sinais:

  • “detectamos vírus, instale este acesso remoto”. Defesa:
  • política interna: suporte só por canais oficiais;
  • MFA em e-mail e sistemas;
  • bloquear instalação sem permissão (privilégio mínimo).

10) Violência doméstica e controle (segurança é também liberdade)

✅ Controle é violência?

Pode ser. Exemplos:

  • monitorar localização, exigir senhas, impedir contato com família;
  • ameaças, chantagem, destruição de objetos, isolamento social.

✅ O que fazer com segurança (física + digital)?

  • priorize local seguro e rede de apoio;
  • documente ocorrências (prints, áudios, datas);
  • busque orientação e encaminhamento via 180; em emergência, 190.
  • se suspeitar de espionagem no celular (stalkerware), cuidado: “mexer” pode escalar o risco. Segurança pessoal primeiro.

11) “Como eu me preparo sem gastar muito?” (kit e hábitos)

✅ Itens úteis (baixo custo)

  • lanterna pequena;
  • power bank;
  • cópia de contatos de emergência;
  • app de autenticação (2FA) e senhas fortes (gerenciador de senhas).

✅ Hábitos que mais protegem

  • rotas e horários menos previsíveis (quando possível);
  • combinados com família (“cheguei bem”, palavra-código);
  • backup de dados importantes (inclusive para vítimas de golpes/extorsão).

12) Pós-incidente (depois do susto, vem a fase decisiva)

✅ Fui vítima de golpe/roubo. O que faço nas primeiras horas?

Se for roubo de celular:

  • bloqueie linha com operadora;
  • bloqueie aparelho (Google/Apple);
  • altere senhas do e-mail e bancos (nessa ordem: e-mail → mensageria → redes → bancos);
  • registre BO.

Se for golpe financeiro:

  • avise banco imediatamente;
  • registre protocolos;
  • preserve evidências (prints, conversas, comprovantes).

Nota de responsabilidade

Este FAQ é educacional e não substitui orientação policial, jurídica ou assistência social. Em risco imediato, a prioridade é acionar 190/192/193/191 e buscar local seguro.